Metal contra o mau cheiro: afinal, sabonete de inox realmente funciona? – 11/11/2020

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O que você faz quando quer tirar um cheiro ruim das mãos? Nesta situação, a opção mais comum é usarmos a velha e conhecida mistura de água e sabão. O problema é que, em muitos casos, a tática apenas mascara o odor com o perfume do sabonete e o resultado é que o cheiro acaba persistindo por muito tempo depois.

Por mais absurdo que pareça, os “sabonetes” de aço inoxidável à venda no mercado são mais eficientes do que sabonetes comuns na hora de tirar odores das mãos, e a explicação para isso está na sua composição.

Rodrigo Magnabosco, professor do Departamento de Engenharia de Materiais da FEI, explica que aço inoxidável — popularmente conhecido como inox —, assim como todo o aço, é uma liga de ferro. A diferença é que ele contém, no mínimo, 12% em massa de cromo na sua composição.

“É esta presença de cromo que garante a resistência à corrosão”, diz. Isso acontece porque o cromo reage em contato com o oxigênio do ar e forma uma película que é invisível ao olho humano, que evita que o oxigênio do ar oxide o ferro presente no aço.

Essa película formada pela reação do cromo com o oxigênio atrai substâncias que têm enxofre, responsáveis pelo odor da cebola, do alho e de frutos do mar.

“Estas substâncias adsorvidas na superfície podem ser mais facilmente oxidadas, eliminando o cheiro característico. Por isso, recomenda-se esfregar as mãos por alguns segundos numa superfície de inox e debaixo d’água: promove-se a neutralização das substâncias que tem odor, e a água remove os vestígios”, explica Magnabosco.

É importante ressaltar que esses “sabonetes” de inox têm a única função de remover odores, mas não de limpar a pele. Portanto, não atuam na remoção de sujeiras e nem têm qualquer ação contra microorganismos como vírus e bactérias.

Quando só o sabonete não resolve

Agora que a gente sabe que, sim, aqueles “sabonetes” de aço inoxidável funcionam, vamos entender por que a nossa pele retém alguns cheiros. Primeiramente, é preciso deixar claro que a retenção de odores é algo que varia de pessoa para pessoa.

“A fixação de fragrâncias em nossa pele está relacionada com a espessura e a hidratação da pele, além dos componentes que interagem com ela. Quanto mais espessa e mais hidratada a pele, maior será a fixação de odores, agradáveis ou desagradáveis”, diz Flávia Rosalba, dermatologista do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”).

Rosalba também ressalta que, uma vez que compostos sulfurados entram em contato e se fixam na pele, sabonetes comuns são insuficientes para removê-los e aí é preciso apelar para outras substâncias, e os sabonetes de aço inoxidável são uma delas.

Mas, apesar de ser considerado seguro para a maioria das pessoas, Rosalba afirma que o uso de “sabonetes” de inox pode ser perigoso para aqueles que tenham sensibilidade ao metal, “pois seu uso pode desencadear reações alérgicas, como uma dermatite de contato, por exemplo”.

Neste caso, além de suspender o uso do objeto, o melhor a se fazer é procurar um especialista para tratar o problema.

Além disso, há outras substâncias capazes de remover odores fortes.

“No caso do alho, por exemplo, a alinase, enzima responsável por formar as substâncias voláteis causadoras dos odores, é inativada em ph menor que 3,6. É por isso que reduzimos o cheiro ruim quando esfregamos as mãos com substâncias ácidas, como limão e vinagre, depois de manipular esses alimentos”, exemplifica.

Nesse caso, porém, é recomendado lavar bem as mãos em seguida, uma vez que resíduos de substâncias ácidas, como o suco de limão, podem manchar a pele caso haja exposição ao sol.

A dermatologista também cita que folhas de hortelã e salsa cruas também têm efeito desodorizador. “O mecanismo de ação, nesse caso, está relacionado aos compostos polifenólicos, que neutralizam os odores por ação direta ou reação enzimática por oxidação”, explica.



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